
O amor saudável não se parece com uma partida de tênis.
No tênis, um vence e o outro perde. É preciso rebater, defender, atacar, pontuar.
Muitas relações acabam funcionando assim: em disputa constante, tentando provar quem está certo, quem sofre mais, quem errou primeiro ou quem deveria ceder.
Rubem Alves dizia que o amor se parece muito mais com um jogo de frescobol.
No frescobol, o objetivo não é derrotar o outro. Os dois jogam juntos para que a bola continue no ar.
Existe cuidado. Escuta. Ritmo. Presença.
Quando um percebe que o outro está cansado, joga com mais delicadeza. Quando a bola vem torta, o outro tenta alcançar — não para vencer, mas para sustentar o jogo.
Relacionamentos saudáveis não são construídos pela ausência de conflitos. Mas pela capacidade de continuar escolhendo o vínculo mesmo diante das dificuldades.
Na Terapia do Esquema, entendemos que muitos casais acabam presos em dinâmicas de ataque, defesa, afastamento ou cobrança sem perceber que, aos poucos, deixam de jogar juntos.
E talvez amar tenha mais relação com isso: não sobre ganhar do outro, mas sobre construir algo ao lado dele.